Por que a Ciência anda tão parecida com a Religião?

 

por Ricardo Maciel Gazoni

[Abstract]:
“Scientific publishing seems to have a function other than spread scientific knowledge among the scientific community: it also seems to work as an authority that announces to the non-specialists what is “scientific proven” defining what might be regarded as true. The text analyses this phenomenon and some consequences based on Peirce’s theories on the methods for the fixation of belief.”

* * *

Certos acontecimentos parecem ter uma razão oculta quando de maneira quase milagrosa cristalizam uma ideia que vinha sendo gestada aos poucos, sem que a tenhamos percebido. Aconteceu comigo esses dias: lendo o texto delicioso da Juliana Rocha Franco neste mesmo espaço internético (“Notas para se pensar as bolhas online a partir de Peirce”) tive a impressão de que o texto estava lá para resolver um problema que começou a martelar um bocado antes. Digo “resolver”, mas não há solução nenhuma aqui. É que de repente parece possível formular a pergunta certa, o que já é um alento. Comecemos do começo.

Em 15 de Maio de 2017 o Jornal da USP publicou um artigo intitulado “A homeopatia é uma farsa”, assinado por Beny Spira, doutor em genética molecular pela Universidade de Tel-Aviv. O texto, que pode ser lido aqui, é uma resposta a um texto anterior publicado no mesmo jornal (este aqui) que critica a deficiência no ensino de homeopatia veterinária na USP. O artigo de Beny Spira é conciso e apresenta alguns estudos científicos publicados em revistas de renome que suportam a argumentação do autor, que é uma crítica ao próprio jornal de USP pela publicação de conhecimento “errado, arcaico e perigoso”. Leitura que, por citar boas fontes, permite também acompanhar a discussão a respeito da homeopatia nas publicações científicas. O texto encontrou respostas no próprio Jornal da USP (por exemplo, esta) e repercutiu nas redes sociais, onde foi citado pelos que defendem e pelos que atacam a homeopatia, além de ser compartilhado por páginas que se preocupam em louvar o saber científico em detrimento de outros saberes.

No mesmo dia 15 de Maio de 2017, neste mesmo espaço internético, a Daniele Fernandes publicou “O que você chama de filosofia?”. No texto cita o físico inglês Stephen Hawking. Reproduzo a citação:

Como podemos entender o mundo em que nos encontramos? Como o universo se comporta? Qual é a natureza da realidade? De onde veio tudo isso? O universo precisou de um criador? (…) Tradicionalmente, essas são questões para a filosofia, mas a filosofia está morta. A filosofia não tem acompanhado a evolução da ciência moderna, particularmente da física. Os cientistas se tornaram os portadores da tocha da descoberta, em nossa busca pelo conhecimento. (Hawking e Mlodinow, 2010, p. 10)

O texto de Daniele Fernandes discorre sobre esse e outros fatos, e cita também um trecho de Deleuze a esse respeito:

A filosofia consiste sempre em inventar conceitos. Nunca me preocupei com uma superação da metafísica ou com a morte da filosofia. A filosofia tem uma função que permanece atual, criar conceitos. Ninguém pode fazer isso no lugar dela. Certamente a filosofia sempre teve seus rivais, desde os rivais de Platão até o bufão de Zaratustra. Hoje é a informática, a comunicação, a promoção comercial que se apropriam dos termos “conceito” e “criativo” (…) A filosofia sente-se pequena diante de tais potências, mas, se chegar a morrer, pelo menos será de rir. (Deleuze, 1992, p. 170)

Bom humor à parte, as perspectivas parecem claras: há um método –o científico– que nos aproxima, invariavelmente, da verdade. Sua aplicação sistemática amplia sobremaneira nosso conhecimento sobre o mundo. É um procedimento cujos resultados –as teorias científicas– são a melhor descrição da realidade de que somos capazes até agora. Mas a coisa não para por aí: a aplicação recursiva do método científico levará a teorias ainda mais sofisticadas, descrições ainda mais precisas que, aplicadas à prática, levarão a um desenvolvimento tecnológico cada vez mais assombroso.

Mas se é assim, por que então algumas pessoas insistem em propor que a ciência moderna não está à altura de certas questões, como por exemplo as da homeopatia? Por que é preciso que um cientista do porte de Stephen Hawking declare a morte da filosofia? Por que a ciência precisa de tantos defensores? Sendo tão profícua em verdades, a ciência deveria, aos poucos, tomar o lugar de todas as formas de pensamento diversas dela, já que seus resultados são melhores que os da concorrência. Quando todos pensassem cientificamente caminharíamos, enfim, para o consenso entre os homens, quiçá também em direção à paz mundial.

Acredito na ciência, e essas questões incomodam bastante; poderíamos prosseguir citando as críticas de Thomas Kuhn à maneira como a ciência se desenvolve em nossa sociedade apesar do método científico –sobre isso há um bom texto de Alberto Oliva (1994)–, ou exemplos de como o método científico não tem dado conta de responder com a mesma precisão questões que estão na esfera das ciências sociais ou da psicologia, mas prossigamos a partir da publicação que citei no primeiro parágrafo.

O texto de Juliana tem inúmeros pontos relevantes, entre eles duas constatações peircianas: a irritação da dúvida e as estratégias que utilizamos para escapar dela, ou seja, os métodos de fixação das crenças. São quatro: o método da tenacidade, que consiste em recusar qualquer questionamento que nos tire do estado de crença e nos leve ao estado de dúvida, o método da autoridade, no qual a crença se institui a partir da opinião de uma outra pessoa, que é a autoridade, o método a priori, no qual tendemos a pensar o que já estávamos inclinados a pensar, e o método científico.

Para Peirce (e continuo citando o mesmo post) o método científico tem como proposta evitar os demais métodos: “eliminar o apego a uma dada crença, bem como a imposição de crenças a partir de alguma autoridade, assim como a busca elementos ‘agradáveis à razão’”. Baseia-se na ideia de que “há uma realidade que existe independentemente de nossas crenças e que se força sobre nós” e tem como princípio o falibilismo peirciano. De acordo com esse falibilismo, e aqui de novo o texto cita Peirce, “não existe qualquer razão para atribuir às suas crenças um valor mais elevado que as de outras nações e outros séculos”. Observamos, então, que o método científico de fixação das crenças tem como característica um certo desapego às crenças já existentes. De fato, qualquer um que alguma vez já produziu conhecimento científico está habituado a conviver com a possibilidade de descobrir que suas crenças científicas não se sustentam. Daí a importância do debate científico. Fazer ciência não é encontrar o conhecido, é antes desafiá-lo. Não há o conforto da crença, é mais um conforto no método. É preciso que os cientistas que acreditam na homeopatia apresentem suas evidências para confrontar com as dos cientistas que não acreditam nela, e, talvez juntos, tentar ampliar o cabedal da teoria científica, encontrando uma melhor descrição para tudo isso. Uma descrição para o mundo que pode ser muito diferente da atual: precisamos estar dispostos a abandonar o que sabemos e o que acreditamos para dar espaço ao novo. Um grande desconforto.

É possível entretanto identificar uma outra atitude: a do “defensor da ciência”. Enquanto o cientista discute a ciência, o “defensor da ciência” discute a conclusão do cientista. A questão dele é discutir aquilo que ele compreende por trás da afirmação de que a homeopatia não funciona (ou funciona, conforme o gosto). A pergunta que faz é: há estudos científicos que suportam a afirmação? Porque se há, então temos uma verdade. E se você não acredita nessa verdade, é porque não compreende o método científico –e tome argumentos a favor da ciência. Parece ignorar que o método científico não oferece a verdade. O método científico oferece modelos teóricos que tentam explicar fenômenos observáveis. Esses produtos da ciência, os modelos científicos, podem ser –na verdade são, em algum momento– francamente incorretos e induzir ao erro, basta ver algumas das barbaridades cometidas em nome da boa ciência: a frenologia e a lobotomia não esgotam a lista de exemplos. Não obstante, para o “defensor da ciência” o que é provado cientificamente está além de qualquer dúvida.

Todos nós, inclusive os cientistas, somos pegos nessa armadilha: uma vez que não é possível a cada um de nós verificar por si, cientificamente, todas as verdades nas quais gostaríamos de crer, acreditamos, então, nos estudos científicos publicados nos veículos de renome. Na verdade, nem isso. A maioria de nós não lê –porque não é capaz de entender– um artigo científico. A plena compreensão de um texto desses está reservada aos cientistas da área. O que realmente lemos e compreendemos é o resultado do trabalho das inúmeras pessoas que se preocupam em divulgar o conhecimento científico, começando por educadores em todos os níveis, passando por divulgação institucional, recreativa, e o jornalismo científico. Nossas crenças são baseadas, então, nessa enorme massa de informação que julgamos confiável.

O problema é que a crença fixada dessa forma não é fixada através do método científico. Trata-se de crença fixada através do método da autoridade! Alguém publicou a “verdade” e acreditamos nesse que a publicou. Evidentemente a divulgação científica não é infalível, são conhecidos os casos em que não foi feita corretamente, e esses casos são corrigidos assim que descobertos. Mas é fixação de crença pelo método da autoridade e, estando sujeita a erros, permite que se lance a pergunta: em qual autoridade confiar?

Vê-se então que o fenômeno das bolhas epistêmicas não está restrito à internet. Existe uma bolha epistêmica que determina as crenças nos resultados da ciência através de um método que é em última análise baseado na autoridade. Não importa que a ciência seja praticada honestamente, e que os cientistas questionem duramente as próprias crenças durante seus experimentos científicos. Os resultados, assim que publicados, reproduzidos e aceitos por pelo menos uma parte da comunidade de especialistas no assunto passam a ser “comprovados cientificamente”, ganhando assim um certo estatuto de verdade para qualquer um que não tenha participado das próprias experiências científicas.

Há um efeito desse fenômeno que pode ser desastroso dentro das redes sociais. Muito mais insidioso do que o radicalismo religioso, porque aquele que defende a sua religião reconhece em algum momento que a crença tem um componente de fé que não se explica. Já o defensor da ciência acredita estar sendo puramente racional, o que o leva a achar que com uma boa argumentação é possível convencer quem quer que seja do seu ponto de vista. Esquece que seus argumentos se reduzem, em última análise, à “comprovação científica”, que nada mais é que a crença na veracidade de uma publicação que não compreende. Mais ou menos como a crença num texto sagrado na forma como é explicado por um sacerdote. O que se vê é assustador: intolerância, desrespeito à opinião e à experiência alheia, toda a sorte de fundamentalismo na defesa de uma ou outra posição “científica”. Posturas que não têm nada a ver com a verdadeira ciência mas que, ainda assim, são tomadas em nome dela.

Curiosamente, segundo Peirce, há uma instância do pensamento em que poderíamos todos ser cientistas: a filosofia. Para ele a filosofia é

na verdade uma ciência experimental, repousando na experiência que é comum a nós todos; tal que seus principais arrazoados não são de modo nenhum matematicamente necessários, mas necessários somente no sentido de que todo mundo conhece além de qualquer dúvida aquelas verdades da experiência sobre a qual a filosofia é fundada. (CP 3.560, 1898)

Faz sentido, especialmente se tivermos em mente a colocação de Deleuze citada acima: a filosofia cria conceitos e, segundo Peirce, o faz cientificamente. Trata-se de uma ciência que, levando em conta o que as pessoas comuns são capazes de observar, cria modelos para tentar explicar os fenômenos que estão diretamente ao alcance de todos. Observações destituídas dos aparatos próprios da ciências que Peirce qualificou de especiais: a física, a química, a biologia etc. Portanto, é a partir da filosofia que se pode conjeturar, por exemplo, que mente e matéria são duas substâncias essencialmente diferentes. Ou que há uma realidade objetiva a partir da qual se pode fazer observações, e que as leis que regem essa realidade são constantes –uma pressuposição cara à física, por exemplo.

Tirar a filosofia dessa posição e tentar colocar no seu lugar as ciências especiais –a física, como quer Hawking– priva essas ciências das considerações mais elementares nas quais estão baseadas. A consideração de que o método científico pode levar a modelos teóricos melhores não é, ela própria, derivada do método científico: trata-se de uma consideração filosófica. Se tomarmos somente as ciências especiais como capazes de criar os modelos teóricos que descrevem o mundo, privando delas as conclusões da filosofia, teremos ciências que utilizam um método –o científico– que não encontra justificativa nas próprias ciências especiais. Trivialmente, um contrassenso.

E aqui está a razão pela qual pode ter alguma utilidade a discussão filosófica, “não científica” (no sentido de não levar em conta evidências experimentais especialmente obtidas) a respeito, por exemplo, da validade da homeopatia: ela permite questionar as próprias bases filosóficas das ciências especiais. Uma evidência nessa discussão seria: se a homeopatia não tem comprovação científica, como é que tantas e tantas pessoas, cientistas inclusive, apoiam seu uso durante tanto tempo? Se não tivesse nenhuma base, imagina-se que seria uma “moda” mais ou menos como as inúmeras dietas que vêm e logo vão por ineficazes. Uma contra evidência poderia ser: o fato de muitos afirmarem que funciona não a torna verdadeira –um argumento que também pode ser utilizado contra o método científico, que também muitos dizem que funciona. Mas assim a discussão prosseguiria, seguindo a primeira regra de raciocínio de Peirce: “não bloqueie o caminho da investigação” (CP 1.135, 1899). E permitindo qualquer pergunta: se a tal ciência, que tem tão boas repostas para questões da física e da química, não poderia evoluir para encontrar melhores métodos de pesquisa para a homeopatia. Ou se a homeopatia atinge de fato seus objetivos, mas por razões que não têm nada a ver com as justificativas que apresenta.

Uma discussão produtiva questiona as crenças vigentes, científicas ou não, e propõe novas maneiras de ver o mundo. Uma discussão filosófica, se científica, exige que abracemos o desconforto da dúvida. Tal discussão gera um discurso que não se afina com o dos “defensores da ciência”. Um discurso muitíssimo diferente das discussões “científicas” na internet, que pela intolerância parecem de radicais religiosos. Eu, hein? Deus me livre!

 

Referências

DELEUZE, Gilles. Conversações:1972-1990. Tradução de Peter Pál Pelbart. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1992.

FERNANDES, Daniele. O que você chama de filosofia?. Post publicado no Blog Transobjeto, em 15/05/2017, disponível em: https://transobjeto.wordpress.com/2017/05/15/o-que-voce-chama-de-filosofia/

FRANCO, Juliana Rocha. Notas para se pensar as bolhas online a partir de Peirce. Post publicado no Blog Transobjeto, em 17/07/2017, disponível em: https://transobjeto.wordpress.com/2017/07/17/notas-para-se-pensar-as-bolhas-online/

HAWKING, Stephen W.; MLOINOW, Leonard. The Grand Design. New York: Bantam Books, 2010.

OLIVA, A. Kuhn: o normal e o revolucionário na reprodução da racionalidade científica. In: PORTOCARRERA, V. (Ed.). Filosofia, história e sociologia das ciências I: abordagens contemporâneas. Editora FIOCRUZ, 1994. cap. 3, p. 67–102.

PEIRCE, C. S. The Collected Papers of Charles Sanders Peirce. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1931–1958.

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4 respostas em “Por que a Ciência anda tão parecida com a Religião?

  1. Grande Ricardo,
    Excelente texto. Pela importância do tema e também pelas provocações, merece um longo comentário.

    Com relação à sua observação (muito perspicaz) de que a pessoa que confia na utilização do método científico por outrem não está ela mesma utilizando o método científico, mas está utilizado o método de fixação de crença da autoridade.

    1) Isto só ocorre se você estiver considerando que a crença (que foi fixada) é algo que pertença ao indivíduo e não a um grupo ou uma comunidade. No longo prazo (in the long run), pouco importa como indivíduos específicos “fixariam sua crença particular” se o todo da comunidade (de investigadores) fixasse a crença pelo método científico. Em Peirce, o sujeito cognoscente é coletivo, é a comunidade indefinida de pesquisadores (enqt em Descartes, o sujeito cognoscente é individual).

    Esta distinção que fiz é puramente peircena. A que farei a seguir é bem cartesiana.

    2) Você afirmou que quem confia no uso do método científico por outra pessoa não estaria aplicando ela mesma o método científico. Mas, talvez seja importante destacar, Ricardo, que há uma questão de princípio envolvida aqui e, neste caso, você há de concordar que pouco importa o que o indivíduo faz (na prática) se, em princípio, ele poderia ter agido de forma diferente. Mesmo que você não entenda o que está escrito no artigo, você, em princípio, poderia entender. O método científico foi inventado justamente para que o cientista só possa afirmar aquilo cuja comprovação esteja dentro do campo da experiência possível… A experiência que sustenta o que o cientista afirma deve poder ser reproduzida por qualquer pessoa (com conhecimento e equipamentos necessários) em qualquer tempo e lugar. Portanto, se uma pessoa não pode ter acesso a uma verdade estabelecida cientificamente, então isso se deve a questões particulares dessa pessoa ou das condições nas quais ela se encontra e não ao método propriamente dito. Mas note que essa incapacidade é contingente no caso do método científico. Neste caso, tem que ser possível que a pessoa atinja a verdade por si só (mesmo no caso em que, nas condições atuais, ela não consegue fazê-lo). No caso dos outros métodos de fixação de crença (exceto o a priori), isso não ocorre. A impossibilidade da pessoa chegar de forma autônoma à verdade (por este método estabelecida) é constitutiva do próprio método.

    Para Peirce, o método científico é diferente dos demais porque é o único cujo atrator (objeto dinâmico) está fora do indivíduo e da sociedade (e deles é completamente independente). Ciência é simplesmente a capacidade de aprender com a experiência. Isto me leva às reflexões dos seus últimos parágrafos. Permita-me citá-los a seguir:

    1) “se a homeopatia não tem comprovação científica, como é que tantas e tantas pessoas, cientistas inclusive, apoiam seu uso durante tanto tempo? Se não tivesse nenhuma base, imagina-se que seria uma “moda” mais ou menos como as inúmeras dietas que vêm e logo vão por ineficazes”.

    Resposta: De fato, não tem comprovação científica. Não tem evidência relevante alguma que a sustente. Sim, deve haver cientistas que apoiam o seu uso. E talvez isso ocorra basicamente por dois motivos: 1) cientistas são seres humanos; eles são treinados para pensar cientificamente, mas não conseguem fazer isso o tempo todo, nem para todas as questões da vida (até pq para questões de importância vital a ciência tem muito pouco ou nada a dizer). O cérebro humano possui dezenas e dezenas de vieses e heurísticas que tornam nosso pensamento “normal” (i.e., não criticamente controlado) algo bem distante de quaisquer padrões de racionalidade. Pesquisas mostram que mesmo alunos de estatística “caem” com frequência em erros sistemáticos da cognição humana com relação a questões estatísticas (taí uma coisa que nosso cérebro de savana parece não lidar bem: estatística – os alunos de estatística só erram um pouco menos do que os leigos que participaram da pesquisa… veja, são alunos de estatística!)

    2) Não subestime a capacidade humana de seguir cegamente tradições há muito estabelecidas. Essa capacidade tem raízes em primatas não-humanos (já ouviu falar no experimento do milho azul com os macacos? Vou mandar a referência e um link abaixo). Homeopatia é um hábito muito arraigado culturalmente (se fosse fazer uma análise, acredito que o método de fixação pelo qual a crença na homeopatia foi fixada foi o a priori) . Algo semelhante ocorre com astrologia. Esta ainda é mais poderosa, pois uma besteira na qual se acredita há muito tempo sempre parece mais verdadeira, para o senso comum, do que uma besteira na qual se acredita há pouco tempo.

    2) “Uma contra evidência poderia ser: o fato de muitos afirmarem que funciona não a torna verdadeira –um argumento que também pode ser utilizado contra o método científico, que também muitos dizem que funciona”.

    Resposta: Como disse, para Peirce, o método científico é diferente dos demais. Pouco importa o que digam a respeito dele ou de uma aplicação específica dele a uma questão específica. Não importa se dizem que funciona ou não. Ele simplesmente é independente do que quer que digam a respeito dele. Ele é (de acordo com Peirce) o único método cujo controle é externo. O controle é feito pelo objeto dinâmico (a própria realidade em longo prazo).

    Acredito, Ricardo, que este seu questionamento a respeito da ciência estaria mais de acordo com outras visões filosóficas a respeito da ciência. Por exemplo, Foucault. Grande Foucault…. Do modo como Foucault entende ciência, a verdade de qualquer proposição que o cientista considere verdadeira é produzida dentro de um regime de produção de verdade e de discursos. A verdade tem uma forma histórica. Há regimes históricos de produção de verdades. Os critérios variam historicamente. Para Foucault, é a tal episteme que organiza os enunciados, os discursos e os saberes em geral e fazem com que nossas palavras se refiram às coisas (que achamos que elas se referem). Os enunciados, os discursos e, em última análise, a própria referência são construções históricas e só fazem sentido dentro de uma episteme. Veja que nesse caso, não há nada externo à episteme (nem anterior). Dá até para escrever à la Foucault uma “história da homeopatia” na qual você descobre (por meio de arqueologia de saber) o gesto inaugural que excluiu a homeopatia do campo dos métodos/tratamentos legítimos (do ponto de vista da ciências), as práticas discursivas que sustentam e renovam desde então esta exclusão e também as práticas extra-discursivas (as famigeradas relações de poder) que estão refletidas nesta exclusão.
    ——————————

    abç

    G. Rick

    -Van Leeuwen, Edwin JC, Katherine A. Cronin, and Daniel BM Haun. “A group-specific arbitrary tradition in chimpanzees (Pan troglodytes).” Animal cognition 17, no. 6 (2014): 1421-1425. SITE: http://science.sciencemag.org/content/340/6131/483

    • Perfeito Gustavo,
      Parabéns!
      “Como disse, para Peirce, o método científico é diferente dos demais. Pouco importa o que digam a respeito dele ou de uma aplicação específica dele a uma questão específica. Não importa se dizem que funciona ou não. Ele simplesmente é independente do que quer que digam a respeito dele. Ele é (de acordo com Peirce) o único método cujo controle é externo. O controle é feito pelo objeto dinâmico (a própria realidade em longo prazo). ”

      Eu assinaria isso. 🙂
      abs.
      Ronaldo Marin

    • Meu querido Gustavo!,

      quero começar dizendo que é muito bom quando o texto que a gente escreve é lido e comentado por gente inteligente. Muito obrigado pela atenção à leitura, e quero dizer que graças ao seu comentário posso encontrar mais uns defeitos adicionais no texto, que você talvez não tenha reparado.

      O principal defeito, no entanto, talvez seja o fato de estar mal escrito. Deu a você a impressão de que tenho algum questionamento a respeito da ciência. Não! Sou fão de carteirinha da ciência, gosto de assistir os canais no YouTube que fazem divulgação científica, e como engenheiro considero-me um observador privilegiado dos desenvolvimentos da ciência, pois na maioria das vezes dominar a matemática às vezes complicada que os descrevem. Ou seja, fã da ciência level nerd. O que não gosto é do mau uso que alguns fazem de alguns resultados da ciência. Um certo desrespeito, arrogância mesmo.

      Dito isso, e tentando manter a ordem das suas observações, queria começar aproveitando a sua erudição para tirar uma dúvida. Você diz que “em Peirce o sujeito cognoscente é coletivo”. Não é a primeira vez que escuto isso e fico incomodado. Entendo (talvez erradamente) que o conceito de mente em Peirce é bastante amplo (sobre isso tem um texto muito bom de 2005 da Lucia Santaella, coloco embaixo a referência), ultrapassando os limites do indivíduo e do humano. E, evidentemente, suporta a ideia de que a cognição pode ser coletiva. Mas dizer que a cognição pode ser coletiva é bem diferente de dizer que a cognição é coletiva; aliás, fica até esquisito falar em sujeito cognoscente. Queria saber onde é que Peirce afirma isso… desculpe a ignorância!

      Mas prosseguindo no primeiro item: não me parece que a crença fixada por autoridade seja do indivíduo, parece-me ante uma crença fortemente reforçada pelo coletivo. Basta olhar para inúmeras instituições religiosas organizadas, onde o grande número de fiéis ajuda a reforçar a crença na autoridade do sacerdote (uso essa palavra como genérico para padre, bispo, pastor, médium, pai-de-santo, mulá, lama e um loooongo etc). E aqui vale a conjetura de que esse método também, no longo prazo, tende a se fixar no “sujeito cognoscente coletivo”. Não obstante concordo com você: é melhor que o método coletivo para a fixação da crença seja o científico, apesar dos esforços dos “defensores da ciência”, que em minha opinião barram o curso da investigação através das repetidas tentativas de convencimento pelo método da autoridade.

      No fundo a defesa da ciência é mais complicada do que parece, porque implica na defesa de que qualquer crença pode ser provisória. Não é científico reforçar arbitrariamente qualquer crença, e a crença no método científico é uma crença, claro. É um problema lógico, não científico. Por isso as defesas apaixonadas da ciência a mim soam vazias: porque a ciência prega a defesa racional, e não apaixonada, das crenças, inclusive a crença no método científico.

      Veja como a coisa pode ser insidiosa: você diz que há uma diferença de princípio envolvida no método científico (concordo) porque, mesmo que um leitor não entenda o que está escrito no artigo científico ele poderia entender (concordo, e acrescentaria: “entender por seus próprios meios, sem depender de uma autoridade externa”). Aí você afirma, e cito: “O método científico foi inventado justamente para que o cientista só possa afirmar aquilo cuja comprovação esteja dentro do campo da experiência possível… A experiência que sustenta o que o cientista afirma deve poder ser reproduzida por qualquer pessoa (com conhecimento e equipamentos necessários) em qualquer tempo e lugar. Portanto, se uma pessoa não pode ter acesso a uma verdade estabelecida cientificamente, então isso se deve a questões particulares dessa pessoa ou das condições nas quais ela se encontra e não ao método propriamente dito”. E isso parece uma defesa do método científico, mas aproveito de novo sua erudição para perguntar: é mesmo? Porque vejamos o seguinte exemplo: no livro “MindScience, an East-West Dialogue” (que pode ser lido aqui: https://joaomfjorge.files.wordpress.com/2016/06/mind-science.pdf), na pagina 13 do livro (22 do pdf) o Dalai Lama inicia afirmando que o objetivo primário das técnicas de treinamento mental do Budismo é obter iluminação. Para simplificar, entendamos que qualquer um que se disponha ao tal treinamento chegará, cedo ou tarde, a essa iluminação. Temos então um resultado (a iluminação) que pode ser comprovado se o experimentador se submeter a uma experiência bem definida, o treinamento mental budista. No que isso é diferente do método que você descreve? A experiência dos budistas que atingiram a iluminação pode ser realizada por qualquer pessoa com conhecimento e equipamento necessários em qualquer tempo e lugar. Se alguém não tem acesso a essa verdade, isso se deve a questões particulares dessa pessoa. A ação da pessoa é autônoma, ela mesma pode verificar os resultados. Mas é ciência?

      Você prossegue lembrando que para Peirce o método científico é diferente dos demais “porque é o único cujo atrator (objeto dinâmico) está fora do indivíduo e da sociedade (e deles é completamente independente)”. Concordo com Peirce, mas se tomarmos a eleição do Papa –que é eleito por um grupo de cardeis inspirados pelo Espírito Santo– temos o mesmo caso: um método cujo único atrator (o Espírito Santo) está fora dos indivíduos e da sociedade –se bem que para os católicos, como eu, o Espírito Santo também está presente na comunidade de batizados, mas isso é outra história. Claro que acreditar que a eleição do Papa contém um elemento externo depende que se acredite no Espírito Santo, mas essa crença não é, acho eu, tão diferente assim da crença de que há uma realidade objetiva que independe de nós. Lembremos que o delírio é irredutível: quem acha que é Napoleão Bonaparte sempre encontrará indícios disso não interessa o quanto se argumente.

      Claro que nós dois concordamos que tanto o treinamento budista quanto a eleição do Papa não são experiências científicas, embora tenham características, parece-me, inteiramente aderentes às descrições que deu. Ou estou perdendo alguma coisa? Numa tentativa de definir exatamente qual a diferença entre o que chamamos de ciência e os procedimentos acima descritos, arrisco dizer que a ciência só se utiliza do que chamamos “realidade objetiva” –a qual eu tentaria traduzir em termos peircianos como secundidade existente (não real, existente)– para suportar, indutivamente e dentro de parâmetros estatísticos razoáveis, e de forma reprodutível por outras pessoas, teorias científicas que foram inicialmente obtidas por abdução. Esse apoio necessário na realidade objetiva privilegia justamente as ciências que estudam a realidade objetiva: a física e a química (não à toa as ciências que apresentaram maior desenvolvimento com o método), mas deixa a desejar, progressivamente, nas ciências biológicas e nas humanas. Não acha que a solução seja mudar o conceito do que é científico. Temos é de prosseguir no caminho da investigação…

      E prosseguindo, quero esclarecer mais uma coisa que está mal colocada no texto: a afirmação que escrevi e você cita, começando com “se a homeopatia não tem comprovação” e terminando com “dietas que vêm e logo vão por ineficazes”. Esse é um péssimo argumento para a defesa da homeopatia. É por isso que no texto começa com “Uma evidência nessa discussão seria: se a homeopatia…”. Uma tentativa mal executada de ilustrar uma possível discussão (tanto que prossegue com “Uma contra evidência poderia ser…”, como numa discussão), e não uma apresentação de argumentos contra ou a favor, não tenho competência para isso! Aliás, um argumento muito melhor nessa discussão poderia ser o que você mesmo deu: em que a crença na homeopatia é um resultado diferente do resultado do experimento do milho azul com macacos? Um boa pergunta!…

      Veja que antes de se ter uma comprovação científica não há como saber se uma crença fixada por autoridade representa ou não uma verdade. Assim, se você não acredita no Espírito Santo, a eleição do Papa é um método de definir uma verdade por autoridade. Mas, se você acredita, é uma experiência mística em quase tudo idêntica a uma experiência científica. Agora, se a ciência provar que de fato o Espírito Santo existe (perfeitamente possível, já que ainda não provou que não existe), então aquele que achava que a eleição do Papa era definida por autoridade estará errado. E aqui entra minha irritação: a crença que seria a correta poderia ter sido sistematicamente desrespeitada pelos “defensores da ciência”. Esse pessoal parece não saber que podem estar errados, como dita a própria ciência!

      Tomo como exemplo o seu próprio texto: ao falar da astrologia, coloca-a como “besteira”. Um desrespeito, em minha opinião. E antes de prosseguir, quero esclarecer: não me interesso pela astrologia e não a conheço, não sou um defensor ou praticante da astrologia. Mas acho que se perde muito, do ponto de vista científico, em tratá-la como “besteira”. Mas exatamente o quê se perde? Respondo:

      Em primeiro lugar, ouço e leio frases como “pão-duro como um capricorniano”, ou “claro, é um leonino assertivo” (não sei se capricornianos são pães-duros –tá certo esse plural?– ou se leoninos são assertivos, é só um exemplo, como o são todas as referências a elementos da astrologia neste texto), leio e fico com inveja do poder descritivo que elas têm. Há uma diferença entre o pão-durismo capricorniano e o –digamos– taurino para a qual eu sou cego. Isso leva à suspeita de que uma boa avaliação nas diversas possibilidades de personalidade descritíveis pelos tais mapas astrais levaria a um catálogo extremamente rico de tipos de personalidade, um objetivo perseguido por qualquer teoria psicológica, e resolvido nelas de maneira que me parece um pouco simplificada. Mas se tomarmos a combinação de 12 signos em 9 astros (imagino que sejam o Sol, a Lua e mais 7 planetas, mas posso estar errado) temos o assombroso número de 5.159.780.352 perfis diferentes, uma riqueza que, por pertencer a uma prática cultural de séculos, pode embutir muito insight a respeito de como nós humanos nos vemos. Veja, mesmo que a astrologia esteja errada! Por se propor a descrever personalidades, temos esse quantidade enorme de perfis que em princípio são, pelo menos, verossímeis…

      Em segundo lugar, ouço “defensores da ciência” dizerem que “não é possível que os astros afetem as pessoas: estão muito longe, qualquer efeito que produzam é imperceptível”. Essa é a uma das piores frases que já ouvi contra a astrologia, por duas razões: uma porque está incorreta (de duas formas) e outra porque supõe que o astrólogo acha que a influência dos astros se dá por ação que depende da distância, e pode não ser o caso. Como não conheço astrologia não posso aprofundar essa segunda razão (mas farei algumas considerações a seguir), mas a incorreção da frase é patente, e explico. Primeiro, os astros. Por serem visíveis, podemos anotar suas posições. E essas anotações, feitas ao longo dos séculos (adivinhe para quê), permitiram que se conjecturasse a respeito do seu funcionamento. Assim, as observações de Tycho Brahe (sigo Peirce) permitiram que Kepler conjecturasse acertadamente que as órbitas dos astros são elípticas e não circulares. Essa considerações ajudaram a confirmar a teoria da gravidade proposta por Newton e, como se sabe, a física newtoniana mudou o mundo. E os astros participaram disso. De forma beeeeem indireta, mas não inócua. Segundo, o Sol e a Lua nos afetam, sim, com sua gravidade. Não individualmente, mas coletivamente, através, por exemplo, das marés. E finalmente o Sol nos afeta diretamente, não preciso me alongar. Então dizer que os astros não nos afetam não é uma afirmação científica. Eles nos afetam, uns até pela ação física, outros somente pelo conhecimento que nos proporcionam.

      Prosseguindo, não sei se a astrologia prega que os astros têm ação direta sobre nós. Mas façamos outra conjectura, muito mais fácil de concordar. Suponhamos que acreditamos ser verdadeiro o fato de que “tudo está ligado”, no sentido de que todas as coisas de certa forma se afetam umas às outras, diretamente ou não. Uma consideração filosófica, até poética, que não sei se é verdadeira, mas vamos fingir que acreditamos nela. Ora, se tudo está ligado, então aparentemente é da natureza das coisas apresentar um comportamento cíclico. Porque muitas coisas têm um comportamento cíclico. Sendo isso verdade, se entendermos em que ponto do ciclo estamos, poderemos entender em que ponto estaremos. Assim imagino que o tal mapa astral seja um retrato do ciclo e da posição da pessoa nele, que o astrólogo utiliza para daí inferir –talvez abdutivamente– coisas que interessam à pessoa. Claro, imagino todos agindo de boa fé. Por que não? Veja, isso não apresenta nenhuma diferença essencial da crença que todos os acontecimentos do universo são regidos por leis físicas e que, conhecendo todas as leis físicas e a situação atual do universo será possível prever qualquer situação futura (note que essa crença suporta o argumento de que os astros não nos afetam por sua distância: não há lei física conhecida capaz de descrever essa interação entre nós e os astros muito distantes). Uma crença científica até o final do século XIX, desacreditada pelo princípio quântico da incerteza, mas que retoma força agora graças a um fenômeno que não entendo bem, mas é a ideia de que as partículas podem ser conduzidas por ondas ao invés de apresentar um comportamento dual partícula-onda. Que coisa, né?

      Para terminar, queria concluir com algo óbvio: não é assim tão fácil dizer o que é verdade ou não. Acredito que o método científico seja o melhor caminho. Mas em minha opinião é um contrassenso utilizar a excelência do método para barrar o curso da investigação através de opiniões que não respeitam outros saberes. Afinal, talvez esses outros saberes tenham algo a acrescentar…

      E olhe que coincidência: abrindo o e-mail hoje vejo que foi publicado na academia.edu uma entrevista da Susan Haack ao Irish Times intitulada “Does science have all the answers?” (pode ser lida aqui). Ela se considera “de certa forma” uma estudiosa de Peirce e parece fazer colocações com as quais eu concordaria. Digo “parece” porque não li tudo: preferi responder ao seu comentário primeiro…

      Grande abraço, meu querido, e espero pelas suas referências!

      REFERÊNCIA PROMETIDA:
      SANTAELLA, L. O amplo conceito peirciano da mente: sua relevância para a biologia,
      inteligência artificial e cognição. In: FERREIRA, A.; GONZALEZ, M. E. Q.; COELHO,
      J. G. (Eds.). Encontro com as ciências cognitivas. São Paulo: Cultura Acadêmica Editora,
      2005. v. 4, p. 167–180.

  2. Caros,
    Muito interessante e atual essa discussão e posso dizer que concordo com os argumentos de ambas as partes pois me parece fundamental fazer uma distinção:
    Uma coisa é o método científico em abstrato, no sentido de uma sequência de passos epistemológicos que garantem o acesso a uma parcela de verdade sobre o real e outra coisa sao os métodos de experimentação científica que dependem da tecnologia e do conhecimento num determinado momento. Creio que não devemos nos fechar às possibilidades que podem vir a surgir. A história da medicina tem exemplos de observações que somente depois de muitos anos puderam ser comprovadas, tal como a do médico austríaco I. P. Semmelweiss que, em 1846, observou que os médicos deveriam higienizar as mãos antes de realizarem partos, o que só foi aceito após sua morte, quando suas observações foram valorizadas e cientificamente comprovadas. Dito de outro modo, uma determinada técnica também tem suas limitações que podem vir a ser superadas no longo curso do tempo por outras melhores, mais avançadas, capazes de ampliar o rol de fenômenos cientificamente explicados e a parcela do real conhecida.
    Grande abraço a todos

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