Dust Bowl

 

Montagem-Ilustracao-post-TransObjeto_30062017Trator (1910); tempestade de areia; crianças com proteção; seca
(Crédito/Reprodução: http://www.pbs.org/kenburns/dustbowl/legacy/)

 

por Alessandro Mancio de Camargo

[Abstract]:
“Dust Bowl is a climactic phenomenon which for 10 years caused dust storms during 1930s that greatly damaged the ecology and agriculture of the Midwest in US (Texas, Oklahoma, Kansas). Its causes have largely documented in agricultural history. In this post it is used like as a preliminary example of technography.”

“Nós apenas precisamos de alguém com a coragem de dizer o que precisa ser dito”. A frase anunciada pelo presidente dos Estados Unidos (EUA) Donald Trump faz parte do seu projeto programático para tornar a América poderosa novamente, conforme o livro Great Again: How to Fix Our Crippled America, lançado antes de ele ser eleito e que no Brasil foi traduzido pela Editora Citadel (América Debilitada, 2016).

Esse projeto programático já se posicionava sobre o clima do planeta [1; 2]. “Admito que a mudança climática esteja causando alguns problemas: ela nos faz gastar bilhões de dólares no desenvolvimento de tecnologias que não precisamos”, declarava cerca de um ano antes de anunciar, em maio de 2017, o desembarque do Acordo de Paris, tratado internacional com vistas a reduzir o aquecimento global.   Continuar lendo

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Simondon: uma perspectiva ontoepistemológica para a contemporaneidade

Por Isabel Jungk

[Abstract]:

“Situated in the interchange zone between philosophy and scientific knowledge, the fertile thought of the French philosopher Gilbert Simondon is able to offer a renewed perspective on the ontoepistemological issues of contemporaneity. This post explores some of the main characteristics of his philosophy, which seeks to understand the problems of the individuation of vital and technical beings following their transformational processes of genesis and evolution, without predefined separations of any nature among different types of beings.”

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Gilbert Simondon (1924-1989).

Na contracapa do documentário “Simondon du Désert”, dirigido por François Lagarde (2013), lê-se: “Pensador de um mundo em processo de devir, criador de conceitos que expressam uma nova relação entre humanos, natureza e tecnologia, Gilbert Simondon é o contemporâneo de todos aqueles que buscam um filosofia para nossos tempos”. Essa afirmação, mais do que despertar a curiosidade sobre um pensador original, aponta para o fato de que a obra deste meticuloso filósofo francês representa um ponto alto no pensamento do século XX. O conhecimento aprofundado de questões filosóficas, aliado à intimidade com conceitos científicos e tecnológicos, embasa uma produção intelectual que ainda não foi tão explorada quanto poderia e cujo caráter próprio, em consonância com os avanços de nossa época, promete muitos frutos a todos aqueles que lhe dedicarem a merecida atenção.

Simondon é mais conhecido pela sua filosofia da técnica do que pela sua teoria da individuação da qual sua reflexão sobre os objetos técnicos é decorrente. Contudo, seu pensamento tem ganhado cada vez mais destaque. Como observa Barthélémy (2012, p. 204), da mesma maneira que sua tese de doutoramento A individuação à luz das noções de forma e informação, defendida em 1958, reabilitou a filosofia da natureza em uma época em que a fenomenologia de Merleau-Ponty e o existencialismo de Sartre eram dominantes na França, O modo de existência dos objetos técnicos, sua tese complementar, defendida e publicada no mesmo ano, reabilitou a técnica em um contexto que era tecnofóbico em grande medida, tecnofobia da qual ainda há muitos resquícios atualmente, e à qual Simondon tece uma crítica clara e coerente. Continuar lendo

Tecnologia digital e episteme da mediação

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por Tarcísio Cardoso

Digital technology and mediation episteme

[Abstract]

“Since the first texts that inspired the philosophical movement that became known as speculative realism, one of the challenges that thinkers of this moviment assume seems to be the search for solutions to the obstacles promoted by contemporary philosophy (analytical and continental), especially the obstacles presented by philosophical binarism Implied in the pair of thought-being or subject-object. This search, in the view of the proponents, aims to give philosophy a capacity to reflect on the most current problems with which science and technology deals (MEILLASOUX, 2009). The purpose of this post is to reflect a little on technology, more specifically digital technology, in light of the concept of mediation proposed by contemporary thinkers such as Latour, Martino and Di Felice. The example of digital technology is a choice only partially arbitrary, since it seems to be the most paradigmatic example to identify some of the problems of the human-technical dualism. Not by chance, the digital has been recurring theme in this blog – see, for example, the recent posts of Gazoini (2016) and Camargo (2016). This text deals precisely with the relation between worldview and world experience, between episteme and culture in the universe of digital technologies.”

 

Desde os primeiros textos que inspiraram o movimento filosófico que ficou conhecido como realismo especulativo, um dos desafios que pensadores dessa corrente assumem parece ser o de buscar soluções aos entraves promovidos pela filosofia contemporânea (analítica e continental), em especial os entraves apresentados pelo binarismo filosófico implicado no par pensamento-ser ou sujeito-objeto. Essa busca, na visão dos proponentes, pretende conferir à filosofia uma capacidade para refletir sobre os problemas mais atuais com os quais lida a ciência e a tecnologia (MEILLASOUX, 2009). O objetivo deste post é refletir um pouco sobre a tecnologia, mais especificamente a tecnologia digital, à luz do conceito de mediação proposto por pensadores contemporâneos como Latour, Martino e Di Felice. O exemplo da tecnologia digital é uma escolha apenas parcialmente arbitrária, pois parece ser este justamente o exemplo mais paradigmático para identificar alguns dos problemas do dualismo homem-técnica. Não por acaso, o digital tem sido tema reincidente neste blog – ver, por exemplo, os recentes posts de Gazoini (2016) e Camargo (2016). Comecemos, portanto, com uma breve revisão histórica do que entendemos por cultura digital. Continuar lendo

Inovação articulada pela ecologia

por Alessandro Mancio de Camargo

Innovation pivoted by ecology

 [Abstract]

“Apple and Amazon, two brands whose achievements echo the digital revolution, will open new headquarters by 2018. All kind of relationship in these facilites will be pivoted around issues like: people, nature and technology. The goal is to provide an environment that encourages innovation, although at first view it suggests just a marketing strategy.”

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Apple e Amazon, duas marcas cujas realizações tecnológicas fazem eco à revolução digital, vão inaugurar até 2018 suas novas sedes. Os dois projetos são marcados pela reintegração entre o homem e a natureza. Com esses investimentos, que num primeiro momento parecem apenas ser pautados pelo marketing arquitetônico, o objetivo de ambas é proporcionar um ambiente mais fértil para criatividade dos funcionários [1].

Numa área total construída equivalente a 37 campos de futebol, numa região degradada do centro de Seattle, nos Estados Unidos, a Amazon ergue três aranhas-céus integrados à rua por meio de uma série de estufas em formato de esferas de até 30 metros de altura. Três mil espécies de plantas crescerão no lugar, que contará com áreas de convivência e trabalho abertas a visitantes.

Em Cupertino (Califórnia), a Apple está prestes a concluir seu Campus II em formato circular, como um disco voador. Os 260 mil metros quadrados da construção serão cercados por muito verde, luz e ar fresco proveniente de milhares de árvores distribuídas de forma a reproduzir o ecossistema da região. Continuar lendo

Questões concernentes a algumas faculdades reivindicadas pelo homem do século XXI

por Gustavo Rick Amaral

Breve introdução

De carona no tema levantado pelo último texto, “Rede social e inteligência compartilhada” (de Tarcísio), permitam-me introduzir um pouco de ceticismo nas discussões do grupo.

Das várias ideias que pululam e se espalham como memes (ou quem sabe gremlings) pelas discussões acerca da revolução ocasionada pela internet, duas conseguem captar minha atenção (ainda que por motivos opostos): o tal cérebro multitarefa e a tal inteligência coletiva. Continuar lendo

Uma introdução ao tema: a cidade, o homem e os objetos

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por Clayton Policarpo

O humano desde os primórdios se vê encenado em um mundo repleto de coisas, e para compreende-las, delas se apropriou  e as fez sua extensão. Instrumentos externos ao corpo passaram a ampliar suas funções motoras, realizar atividades cotidianas e demarcar sua parcela no mundo. Assim, o galho, o osso, se tornaram armas e ferramentas; a pedra, muro e garantia de abrigo seguro. Continuar lendo

Tecnologia e o poder dos objetos para especular

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Por Adelino Gala

“Especulação têm como intenção ecoar, no sentido mais amplo, seu significado medieval e moderno. Primeiro,  especulação está ligada ao sentido de speculatio como as operações essencialmente reflexivas e imaginativas do intelecto e, em outro sentido, também implica para o humanismo o princípio de identidade entre o conhecimento do mundo e o conhecimento de si… identidade e alteridade.” (EILEEN, 2013: ii-iii) Continuar lendo