Dust Bowl

 

Montagem-Ilustracao-post-TransObjeto_30062017Trator (1910); tempestade de areia; crianças com proteção; seca
(Crédito/Reprodução: http://www.pbs.org/kenburns/dustbowl/legacy/)

 

por Alessandro Mancio de Camargo

[Abstract]:
“Dust Bowl is a climactic phenomenon which for 10 years caused dust storms during 1930s that greatly damaged the ecology and agriculture of the Midwest in US (Texas, Oklahoma, Kansas). Its causes have largely documented in agricultural history. In this post it is used like as a preliminary example of technography.”

“Nós apenas precisamos de alguém com a coragem de dizer o que precisa ser dito”. A frase anunciada pelo presidente dos Estados Unidos (EUA) Donald Trump faz parte do seu projeto programático para tornar a América poderosa novamente, conforme o livro Great Again: How to Fix Our Crippled America, lançado antes de ele ser eleito e que no Brasil foi traduzido pela Editora Citadel (América Debilitada, 2016).

Esse projeto programático já se posicionava sobre o clima do planeta [1; 2]. “Admito que a mudança climática esteja causando alguns problemas: ela nos faz gastar bilhões de dólares no desenvolvimento de tecnologias que não precisamos”, declarava cerca de um ano antes de anunciar, em maio de 2017, o desembarque do Acordo de Paris, tratado internacional com vistas a reduzir o aquecimento global.   Continuar lendo

Inovação articulada pela ecologia

por Alessandro Mancio de Camargo

Innovation pivoted by ecology

 [Abstract]

“Apple and Amazon, two brands whose achievements echo the digital revolution, will open new headquarters by 2018. All kind of relationship in these facilites will be pivoted around issues like: people, nature and technology. The goal is to provide an environment that encourages innovation, although at first view it suggests just a marketing strategy.”

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Apple e Amazon, duas marcas cujas realizações tecnológicas fazem eco à revolução digital, vão inaugurar até 2018 suas novas sedes. Os dois projetos são marcados pela reintegração entre o homem e a natureza. Com esses investimentos, que num primeiro momento parecem apenas ser pautados pelo marketing arquitetônico, o objetivo de ambas é proporcionar um ambiente mais fértil para criatividade dos funcionários [1].

Numa área total construída equivalente a 37 campos de futebol, numa região degradada do centro de Seattle, nos Estados Unidos, a Amazon ergue três aranhas-céus integrados à rua por meio de uma série de estufas em formato de esferas de até 30 metros de altura. Três mil espécies de plantas crescerão no lugar, que contará com áreas de convivência e trabalho abertas a visitantes.

Em Cupertino (Califórnia), a Apple está prestes a concluir seu Campus II em formato circular, como um disco voador. Os 260 mil metros quadrados da construção serão cercados por muito verde, luz e ar fresco proveniente de milhares de árvores distribuídas de forma a reproduzir o ecossistema da região. Continuar lendo

Paradigma, controvérsia e incomensurabilidade

por Alessandro Mancio de Camargo

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O surgimento de divisões é observado em todos os campos da vida e da cultura. Muitas vezes é só diferença de ponto de vista, urdida em torno de um mesmo objeto. Outras, pode comprometer o trabalho de um grande grupo de pesquisadores. Mas a existência de crenças, mudanças de posição e disparates conceituais faz parte do útil embate para construir valores nos campos da ciência, arte e filosofia.

A constelação de crenças, valores, técnicas partilhadas pelos pesquisadores — os chamados paradigmas — são fontes de inúmeros dissabores e controvérsias, ou seja, discordâncias de opinião, mudanças de posição e incertezas entre os integrantes de uma mesma comunidade. O tema está presente, por exemplo, num post publicado por Graham Harman (1), cuja tradução está disponível em português (2). Continuar lendo

OOO: revigorante das formas de se adquirir conhecimento

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por Alessandro Mancio de Camargo

Assim como a linguagem científica praticada, por exemplo, pelos físicos, a tradição oral — com suas idiossincrasias — avança nos modos de conexão à realidade. Faz isso de forma amplificada por “máquinas desejantes” — parafraseando Guattari (1996, p. 205)— altamente persuasivas. Pós-humano, web 3.0, as interfaces entre a natureza e o corpo. Espaços distintos da sociedade em rede ocupados por objetos sencientes intercomunicantes. As consequências dessa narrativa podem ser interpretadas no premiado Comunicação Ubíqua, de Santaella (2013). Num recorte pessoal do livro, humanos e objetos têm hoje a capacidade de se aproximar de diversas realidades, obter e trocar mais dados sobre elas por meio do diálogo com outros objetos e pessoas, numa velocidade, volume e variedade de informações nunca antes atingidos. O interesse deste post é discutir como, nesse ambiente, revigoram-se diferentes formas de adquirir conhecimento (MATTAR, 2014). Continuar lendo

“É a economia, estúpido!”

Marcus

por Alessandro Mancio de Camargo

O recado de James Carville* reproduzido no título deste post, “É a economia, estúpido!”, adquiriu no decorrer do tempo status de citação universal; ou de meme, para falta de juízo. Neste sentido, é retomado aqui como alerta para quem ainda insiste na “[…] ingênua hierarquia dualista entre sujeito ativo e objeto passivo […]”, anacronismo discutido no texto “Rede, social e inteligência compartilhada” (CARDOSO, 2014) e nas demais publicações deste blog, atualizado pelos integrantes do grupo de estudos TransObjeto. Continuar lendo

O Ser e O Acontecimento

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Por Alessandro Mancio de Camargo

Alain Badiou é o filósofo francês que, ao assinar o prefácio de After Finitude, avalizou as ideias contidas neste livro escrito por Quentin Meillassoux, responsável por alavancar o interesse mundial em torno do realismo especulativo — leia texto sobre isso aqui. Não por acaso, a filosofia de Badiou é um dos alicerces do movimento filosófico pesquisado pelo Grupo de Estudo TransObjeto. Continuar lendo