Este é o nosso território?

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por Clayton Policarpo

A pergunta que dá titulo ao presente post é também uma das provocações iniciais no espetáculo do diretor catalão Roger Bernat, exibido de 6 a 8 de junho no Multitude, mostra composta por obras e eventos que tem a multidão como tema, e que segue em cartaz no Sesc Pompéia. Apresentada como uma peça teatral, Pendente de voto integra uma tradição contemporânea que busca tornar o público parte da criação artística. Dadas as fronteiras difusas que se criam ao elencarmos categorias na arte, a obra pode se definir como teatro, performance coletiva ou um happening. Criada em 2002 na Espanha, a peça já passou por diversos países e propõe reflexões sobre os mecanismos que operam nas ações políticas.  Continuar lendo

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Objetos reais e qualidades reais

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por Adelino Gala

Continuando o post sobre Harman, vamos explorar um pouco mais a construção de seus objetos e qualidades reais a partir de Heidegger.

Heidegger é o filósofo explorado longamente por Harman. É a partir de seu trabalho que Harman interpreta e propõe os conceitos fundadores de dois objetos de sua filosofia, os objetos reais e as qualidades reais. Continuar lendo

Uma chave para a mediação

chave de berlim

por Isabel Jungk 

De aparência bastante peculiar, a Chave de Berlim como ficou conhecida é na verdade uma chave de fechamento forçado (Schließzwangschlüssel). Criada pelo chaveiro berlinês Johann Schweiger e produzida pela Albert Kerfin & Co. a partir de 1912, seu mecanismo permite uma forma de controle de acesso ao local em que é utilizada e sua configuração simétrica, com dois segredos e sem “cabeça” não permite desvendar sua utilização facilmente. Inquietante, ela foi tema de um célebre artigo do filósofo e sociólogo Bruno Latour. Continuar lendo

Aprender a filosofar na Era Técnica

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Óleo sobre tela de
Stefan Zsaitsists

Por Maria Ribeiro

“Claro que se começava a entrar num novo mundo. Uma ação mais poderosa deitara abaixo os deuses; o brilho das coisas era já o brilho exclusivo das coisas, uma fogueira tinha luz devido à sua matéria concreta, o divino já não era um elemento que ilumina ainda mais, era simplesmente uma outra coisa, fora, já da oposição claro/escuro. A eletricidade, dizia Lenz, tornara ridículas certas intuições sobre o divino. Não se pode confundir o que mete medo e respeito com uma eletricidade potente”. Gonçalo Tavares (2008:31)

 No romance Aprender a rezar na era da técnica, o escritor angolano Gonçalo M. Tavares (1970- ) inventaria a existência da família Buchmann, com especial atenção para os episódios vividos pelo doutor Lenz Buchmann, “a mão que segura o bisturi”. Continuar lendo

Rede, social e inteligência compartilhada

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por Tarcisio Cardoso

Quanto tempo passamos conectados por dia? A rede está em nossos celulares ou nós é que estamos na rede? Os dilemas do mundo conectado têm sido alvo de muitas críticas e rotulações, por vezes exageradas. O fato consumado é que por estarmos conectados, ou simplesmente “disponíveis” para a rede, somos pessoas diferentes, estranhas, às vezes dependentes da tecnologia e, certamente, somos cada vez mais difíceis de se entender. Uma série de estudos sobre as redes e as mudanças culturais podem nos ajudar, nesse caminho. Continuar lendo

Uma introdução ao tema: a cidade, o homem e os objetos

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por Clayton Policarpo

O humano desde os primórdios se vê encenado em um mundo repleto de coisas, e para compreende-las, delas se apropriou  e as fez sua extensão. Instrumentos externos ao corpo passaram a ampliar suas funções motoras, realizar atividades cotidianas e demarcar sua parcela no mundo. Assim, o galho, o osso, se tornaram armas e ferramentas; a pedra, muro e garantia de abrigo seguro. Continuar lendo

Tecnologia e o poder dos objetos para especular

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Por Adelino Gala

“Especulação têm como intenção ecoar, no sentido mais amplo, seu significado medieval e moderno. Primeiro,  especulação está ligada ao sentido de speculatio como as operações essencialmente reflexivas e imaginativas do intelecto e, em outro sentido, também implica para o humanismo o princípio de identidade entre o conhecimento do mundo e o conhecimento de si… identidade e alteridade.” (EILEEN, 2013: ii-iii) Continuar lendo