A apologia do realismo especulativo peirciano de Helmut Pape

Tradução e leitura comentada de reflexões de Helmut Pape sobre o elemento especulativo na filosofia de Charles S. Peirce
por Winfried Nöth

[Abstract]

“This post presents a translation of Helmut Pape’s apology of the speculative element in Charles S. Peirce’s philosophy, which Pape wrote for his Introduction to the German edition of essential papers by Peirce on the philosophy of nature. The apology is directed against the antispeculative stance taken by 20th century analytical philosophy and against the ambiguous reception of Charles S. Peirce’s philosophy in this tradition, which was positive as far as Peirce’s logic and fallibilism was concerned, but largely negative as far as the speculative and idealist elements of Peirce’s philosophy were concerned. The author and translator Winfried Nöth contextualizes the topic in the framework of the Transobjeto research project and in contemporary speculative realism.”

Introdução e contextualização

Sabe-se que este blog do Grupo de Estudo TransObjetO tem o objetivo de expor as ideias do Realismo Especulativo contemporâneo em confronto com o realismo de Charles S. Peirce. Ao que concerne os temas do realismo e da realidade em geral, várias contribuições para esse confronto já foram apresentadas neste blog desde 2013 assim como na revista associada, TECCOGS, por exemplo, no meu próprio post sobre o realismo neoescolástico de John Deely.

Porém, apesar do bom número de posts sobre o realismo especulativo em geral, o elemento especificamente especulativo do realismo especulativo contemporâneo parece ainda carecer de contribuições focalizadas. O presente post pretende preencher esta lacuna para iniciar um diálogo sobre o especulativo na filosofia contemporânea e no pensamento de Peirce. Na devida brevidade de um post, não será possível abordar este tema complexo em toda a sua amplitude em ambos os campos de interesse deste blog, o realismo especulativo contemporâneo e o realismo peirciano. Só o último pode ser abordado hoje. O primeiro terá de ficar na pauta para posts futuros. Continuar lendo

Tecnologia digital e episteme da mediação

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por Tarcísio Cardoso

Digital technology and mediation episteme

[Abstract]

“Since the first texts that inspired the philosophical movement that became known as speculative realism, one of the challenges that thinkers of this moviment assume seems to be the search for solutions to the obstacles promoted by contemporary philosophy (analytical and continental), especially the obstacles presented by philosophical binarism Implied in the pair of thought-being or subject-object. This search, in the view of the proponents, aims to give philosophy a capacity to reflect on the most current problems with which science and technology deals (MEILLASOUX, 2009). The purpose of this post is to reflect a little on technology, more specifically digital technology, in light of the concept of mediation proposed by contemporary thinkers such as Latour, Martino and Di Felice. The example of digital technology is a choice only partially arbitrary, since it seems to be the most paradigmatic example to identify some of the problems of the human-technical dualism. Not by chance, the digital has been recurring theme in this blog – see, for example, the recent posts of Gazoini (2016) and Camargo (2016). This text deals precisely with the relation between worldview and world experience, between episteme and culture in the universe of digital technologies.”

 

Desde os primeiros textos que inspiraram o movimento filosófico que ficou conhecido como realismo especulativo, um dos desafios que pensadores dessa corrente assumem parece ser o de buscar soluções aos entraves promovidos pela filosofia contemporânea (analítica e continental), em especial os entraves apresentados pelo binarismo filosófico implicado no par pensamento-ser ou sujeito-objeto. Essa busca, na visão dos proponentes, pretende conferir à filosofia uma capacidade para refletir sobre os problemas mais atuais com os quais lida a ciência e a tecnologia (MEILLASOUX, 2009). O objetivo deste post é refletir um pouco sobre a tecnologia, mais especificamente a tecnologia digital, à luz do conceito de mediação proposto por pensadores contemporâneos como Latour, Martino e Di Felice. O exemplo da tecnologia digital é uma escolha apenas parcialmente arbitrária, pois parece ser este justamente o exemplo mais paradigmático para identificar alguns dos problemas do dualismo homem-técnica. Não por acaso, o digital tem sido tema reincidente neste blog – ver, por exemplo, os recentes posts de Gazoini (2016) e Camargo (2016). Comecemos, portanto, com uma breve revisão histórica do que entendemos por cultura digital. Continuar lendo

Artmachines, de Anne Sauvagnargues

Artmachines, de Anne Sauvagnargues
Edinburgh University Press, 2016

por Pedro Taam

[Abstract]

“Anne Sauvagnargues is a philosopher and currently a professor (Maître de Conférences) at Université de Paris-Ouest – Nanterre La Defense (Paris 10). The present text is a review of her book Artmachines: Deleuze, Guattari, Simondon, published in 2016 by Edinburgh University Press. The book contains 13 essays (from 2002 – 2016), grouped in 4 parts. A list of articles, with the original titles and publication places appear in the end of the review, with direct links to the original articles whenever available.”

Anne Sauvagnargues é filósofa e professora da Université Paris-Ouest – Nanterre La Defense (Paris 10), de acordo com seu vasto currículo, fornecido pela própria universidade. Aqui resenhamos seu décimo quarto livro, Artmachines: Deleuze, Guattari, Simondon, publicado em 2016 pela Edinburgh University Press. A obra em si é uma coletânea de 13 artigos (datando de 2002 – 2016) que foram agrupados em 4 grandes partes, com apenas um artigo inédito. A lista com os títulos originais dos artigos e seus lugares originais de indexação pode ser encontrada ao final desta resenha.

Segundo Gregory Flaxman, que escreve a introdução ao livro, as décadas de 1970 e 1980 viram o florescimento – principalmente no mundo anglófono – do que passou a ser chamado “French Theory”, um termo guarda-chuva que abarca nomes como Derrida, Deleuze, Foucault, Lacan, Lyotard e muitíssimos outros. Passado esse momento histórico, permanecem em voga alguns desses filósofos da geração anterior – como Badiou e Rancière – e alguns da “nova geração” que conquistaram seu próprio reconhecimento, como Stiegler e Meillassoux. Para Flaxman, é exatamente num ambiente em que “a relevância de um filósofo, francês ou não, parece indexada às flutuações das modas acadêmicas e os rápidos ciclos dos paradigmas intelectuais” (Sauvagnargues, 2016, p.1) que a relevância do pensamento de Anne Sauvagnargues pode ser reconhecida. Porque seu projeto filosófico é conduzido “com rigor, mas sem sacrificar uma dimensão viva (…), em que algo de novo pode ser criado”. (op. cit., p.2). Continuar lendo

Projetando transobjetos

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por Eduardo Camargo

Designing transobjects

[Abstract]

“Beyond theoretical issues, Transobjeto group presents a section that deals with possible applications resulting from the new ontology of the object proposed by the speculative realism. One of the practical interests concerns sentient objects and environments that arise from ubiquitous computing and the internet of things. Such objects and environments, increasingly common, are endowed with sensors, actuators and artificial intelligence systems interacting with humans and other objects, either physically or via IoT. Thus, given the potential impact of this new technology, this post gives a brief reflection on the design of sentient objects from the point of view of industrial design.”

Além das questões teóricas, a pesquisa do grupo Transobjeto apresenta uma vertente que se debruça sobre possíveis aplicações resultantes da nova ontologia do objeto proposta pelo realismo especulativo. Como se verifica neste blog (aqui), uma das preocupações práticas do grupo diz respeito aos objetos e ambientes sencientes que surgem a partir da computação ubíqua e da internet das coisas. Tais objetos e ambientes, cada vez mais comuns, são dotados de sensores, atuadores e sistemas de inteligência artificial interagindo com humanos e outros objetos, seja fisicamente ou através da internet (Internet of Things e Industrial Internet of Things). Como diz Santaella:

“Temos que começar a nos acostumar com o fato de que os objetos, que costumávamos ver como coisas inertes ao nosso dispor, para o uso, desuso e abuso, já começam a ficar sencientes, quer dizer, dotados de sensorialidade e certa inteligência” (2013, p. 32).

Assim, diante do impacto potencial da interatividade com esses novos objetos, este post faz uma breve reflexão a respeito da concepção e construção desses dispositivos do ponto de vista do desenho industrial[1] e da importância de se pensar na intenção a partir do projeto de interfaces adequadas.

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Contínuos e atávicos: os estados do fluxo e da permanência na condição do existir

por Hélida de Lima

Continuous and atavistic: the states of flux and permanence in the condition of existing

[Abstract]

“Alfred North Whitehead (1861-1947), English mathematician and theoretician of the late nineteenth and early twentieth has an admirable definition of ideas of permanence and flux in the condition of the existence of the world. Admirable was also how he aesthetically and poetically explained these two concepts, once he used the art, to give an image to his terminologies. It will be about flux, permanence and art that we will be discussing in this post, before the current of the reflection, imperative in times of constant changes.

Also such understandings are summaries for studies of the philosophical area of Speculative Realism, specialty of this blog.”

O livro catedrático de Alfred N. Whitehead, Process and Reality: an Essay on Cosmology, foi publicado nos anos 20, nos Estados Unidos. É um escrito denso, que possui conceitos sobre o ser, o existir e o coexistir neste universo de realidades e naturezas, além de perspectivas de percepção e recepção deste estado de possibilidades. A obra é redigida com todos os elementos possíveis e extremamente ricos para um amplo reconhecimento da Filosofia do Organismo e a partir deste entendimento, a argumentação para uma Filosofia do Processo, em linguagem de um matemático, que não poupa seus leitores de incontáveis terminologias próprias e com vasta erudição.

A Filosofia do Processo se dispõe a mostrar uma realidade metafísica, compreendendo as arenas físicas, orgânicas e psicológicas, em meio a variação e ao dinamismo. Capital para muitos filósofos do Realismo Especulativo, Whitehead nos entrega um raciocínio do existir em estado de contínua transformação, teoria que dialoga com o tempo atual em vários campos do conhecimento. Não será neste post que desvendaremos Process and Reality (…), este é um trabalho já em andamento, realizado pelo Grupo de Pesquisa Transobjeto. Continuar lendo

Quentin Meillassoux, Donald Trump, Elvis Presley e o playground da pós-verdade

por Gustavo Rick Amaral

Quentin Meillassoux, Donald Trump, Elvis Presley and the post-truth playground 

[Abstract]
“The objective of this paper is to compare the speculative realism introduced by the French philosopher Quentin Meillassoux in the book “After Finitude” and the kind of realism defended by Charles S. Peirce. The role phenomenology and semiotics have in the Peirce’s philosophical system makes the peircean realism totally incompatible with the speculative realism. The reason is that the anti-correlationist position of Meillassoux is at odds with some basic peircean thesis (like “all thoughts is in signs” – CP 5.253 [1868]).  This comparative study is followed by a description of some elements of the historical (cultural and political) context in which the Meillassoux philosophical project arise
.”

Na obra “Depois da infinitude”, o filósofo francês Quentin Meillassoux (2008) nos apresenta um projeto filosófico cujo ponto central é a reabilitação da distinção entre qualidades primárias e secundárias associado ao objetivo de estabelecer a tese segundo a qual a contingência seria o único princípio absolutamente necessário no universo. No presente artigo, não pretendemos desenvolver uma análise dos argumentos do filósofo e apresentar uma refutação de suas teses. Fosse esse nosso objetivo, acreditamos que um bom começo seria questioná-lo a respeito do problema de auto-referencialidade envolvido na sustentação do princípio acima anunciado. Se o princípio for um pensamento ou uma proposição, seria ele mesmo contingente, i.e., estaria ele mesmo submetido ao princípio (cf. o que Ray Brassier chamou de paradoxo da contingência absoluta – Brassier, 2007, p. 85)? O objetivo deste artigo é fazer, em primeiro lugar, uma comparação de diretrizes e características gerais do realismo especulativo de Meillassoux e da filosofia peirceana (para demonstrar a incompatibilidade entre as duas filosofias) e, em segundo lugar, uma contextualização (no cenário político e cultural contemporâneo) das instigantes propostas teóricas do filósofo francês. Comecemos com um trecho da obra “Depois da Finitude” em que Meillassoux apresenta a tarefa do realismo especulativo. Continuar lendo

O desafio da imitação

por Ricardo Maciel Gazoni

The Imitiation Challenge

[Abstract]

“The title refers to the “imitation game”, proposed by Turing in order to describe a behavior that could be regarded as intelligent. Taking concepts mainly extracted from the philosophy of C. S. Peirce, the text constructs a hypothesis of how it would be possible to create in a computer a behavior that imitates humans’. A fantasy, but it could well work…”

* * *

Em 1950 o grande matemático britânico Alan Turing publicou na revista Mind um artigo no qual especula se as máquinas podem ou não pensar; nesse artigo, sem definir o que é inteligência, propõe um teste que permitiria identificar comportamento inteligente numa máquina – referia-se aos primeiros computadores digitais. Esse teste, que ficou conhecido como Teste de Turing, é baseado num jogo de salão, o “jogo da imitação”. Nele, um homem e uma mulher, incógnitos para um terceiro jogador, o juiz, deveriam convencê-lo através de diálogos por escrito de que é a mulher. Ou seja, –-e parafraseio Turing— se o juiz perguntasse ao jogador X algo como “Qual o comprimento do seu cabelo?”, se X fosse o jogador homem ele poderia responder: “Meu cabelo é tipo chanel, e os fios mais longos têm cerca de vinte centímetros”, uma óbvia mentira para os padrões da época. Turing propõe que um dos jogadores seja substituído por uma máquina e esta deveria tentar enganar o juiz da mesma forma; se a máquina apresentasse comportamento inteligente seria capaz de vencer o jogo metade das vezes (TURING, 1950). Nas ontologias orientadas ao objeto, assunto frequente nestas paragens da internet, o problema ganha contornos mais interessantes.

Se já acreditamos que não há posições filosóficas privilegiadas que justifiquem as conclusões antropocêntricas do pensador é porque é fácil enxergar o agenciamento exercido pelos componentes da rede da qual fazemos apenas parte; e é fácil mesmo, basta ler alguns posts publicados neste mesmo espaço, por exemplo Fernandes (2016) e Cardoso (2016). Os que como eu são menos próximos das nuances filosóficas do tema se perguntam: se a ontologia é achatada, e isso que chamamos de objetos são essencialmente o mesmo que nós, por que parecemos tão diferentes? Uma resposta inteligente deveria convencer o leitor de que na verdade não somos essencialmente diferentes dos objetos que julgamos observar. A resposta que aqui proponho leva em conta não uma definição de inteligência, mas uma definição de mente, mais especificamente uma visão de acordo com a proposta pelo filósofo norte-americano Charles Sanders Peirce. Continuar lendo

I Colóquio Realismo Especulativo e Realismo Peirceano

I Colóquio Realismo Especulativo e Realismo Peirceano
Tema: Realismo Especulativo sob o signo da diversidade

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4 de novembro de 2016, das 9h às 16h00
PUC-SP Campus Perdizes — Rua Monte Alegre, 984
Auditório 239 – Prof. Paulo Barros de Carvalho

Evento: https://www.facebook.com/events/909370192526751
Inscrições: https://goo.gl/forms/rKmqMSCVDhwj5NQu1

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O Antropoceno é uma queixa[1]

por Adriano Messias

The Anthropocene is a complaint

[Abstract]

“Semiotics survives in great scope as a field of knowledge and a practice allied to other areas of research. In its productive partnership with psychoanalysis, I find contributions that allow me as a researcher to highlight what I have called “interpretive strata” from an analysis that respects the sign; it is fold-out, multiplicative, infinite in its layers, creator of digressions. Whence comes this great contemporary craving that I identify as a “complaint”, recently made official under the name of Anthropocene? Moreover, what unfolds behind this monstrous epiphenomenon? How the so-called psychoanalytic semiotics helps us to understand it in order to alleviate partially the anguish? Some layers of an archaeological site, now a museum located under the Plaça del Rei in Barcelona, are more than a temporal ordering of facts: rather, they denounce the confusing and distressing interrelation of different desires and directions. There we can find parts of this all-tentacle body called Anthropocene that scientists insist to demarcate since the last few decades. From this perspective, the underground of Barcelona reiterate repeated and sudden changes that our species has caused on the planet: the landscape around the former small and Latin Barcino has been impetuously plowed, mined, mineralized, deforested, excavated, cleared, grazed, burned, planted cultivated, bombed, carbonized, industrialized and untolerated. Not coincidentally, these are all verbs of semiotic and psychoanalytic remission.”

***

– El hombre, como bueno simio, es animal social y en él priva el amiguismo, el nepotismo, el chanchullo y el comadreo como pauta intrínseca de conducta ética – argumentaba –. Es pura biología.

– Ya será menos.[2]

Somos primates, básicamente visuales, inteligentes, diurnos, tropicales, forestales y arborícolas. Muchas de nuestras características morfológicas, fisiológicas y etológicas responden a esa definición ecológica del grupo. El que los humanos, y en menor grado otros primates, vivamos ahora en climas, regiones y ecosistemas muy alejados del escenario de nuestra evolución no deja de ser una anomalía, que por otra parte es muy reciente en la relación con la larga historia de los primates.[3]

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De onde vem essa grande angústia contemporânea que identifico como uma “queixa”, no sentido psicanalítico, recentemente oficializada como Antropoceno? E o que se desdobra por trás desse monstruoso epifenômeno?

Cientistas concordaram, no Congresso Internacional Geológico de 2016, na Cidade do Cabo, que o Antropoceno deve ser demarcado a partir dos anos de 1950. Categoricamente, estabelece-se que o Holoceno, o período imediatamente anterior, tenha começado há 12 mil anos, iniciado pela estabilização do clima da Terra com o fim última Era do Gelo, o que permitiu o desenvolvimento das civilizações. Porém, pesquisadores convencionaram que o breve Holoceno já cedeu lugar ao seu apocalíptico sucessor: este último engloba o período em que as atividades humanas dominaram de vez o planeta mediante uma complexa e devastadora maquinaria.[4] Na contramão dos modismos científicos, porém, decidi estender minhas reflexões sobre o Antropoceno para períodos muito anteriores. No momento em que o fazia, minha escrita coincidiu com a bela cidade que se desfolhava ante minhas flâneries, como páginas soltas daquele belo romance de Carlos Ruiz Zafón. Continuar lendo

A ficção flusseriana

por Thiago Mittermayer

The Flusser’s fiction

[Abstract]

“The purpose of this article is to discuss the concept of fiction formulated by Vilém Flusser. Within the broad theoretical legacy left by visionary philosopher, it was chosen to present his original vision of fiction. The relevance of the debate is in the fact that fiction — in a general perspective — is a plural and diverse concept, since it takes different connotations in different areas. The problem takes shape and complexity when the different conceptions of fiction are muddled. And it’s in this nebulous terrain that Flusser demarcates fiction, he explains fiction especially linking philosophy, literature, communication and science.”

A ficção é discutida na filosofia, ciência, arte, cultura, literatura, comunicação, política e por aí vai. A qualidade da ficção está em ser plural, ou seja, a ficção é uma concepção multifacetada, pois assume diferentes significados em várias áreas. Todavia, o problema da ficção é exatamente ser multifacetada porque as conotações são tantas que passam a se embaralhar e a ganhar complexidade. Krause (2008, p. 126) reflete que “o poeta experimenta a ficção como a matéria-prima com a qual ele constrói a sua verdade. […] O cientista experimenta a ficção da hipótese como seu instrumento para também se aproximar da verdade”. Logo, o objetivo do presente post é delimitar o conceito de ficção estipulado por Flusser. Para isto utilizaremos o artigo Da ficção (1966) e o livro Vampiroteuthis Infernalis (2011). Além dos textos do filósofo, exploraremos os pontos de vista de Schäffauer (2011), Felinto e Santaella (2012) e Krause (2008) a respeito da ficção flusseriana e de outros conceitos circunvizinhos. Continuar lendo