Projetando transobjetos

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por Eduardo Camargo

Designing transobjects

[Abstract]

“Beyond theoretical issues, Transobjeto group presents a section that deals with possible applications resulting from the new ontology of the object proposed by the speculative realism. One of the practical interests concerns sentient objects and environments that arise from ubiquitous computing and the internet of things. Such objects and environments, increasingly common, are endowed with sensors, actuators and artificial intelligence systems interacting with humans and other objects, either physically or via IoT. Thus, given the potential impact of this new technology, this post gives a brief reflection on the design of sentient objects from the point of view of industrial design.”

Além das questões teóricas, a pesquisa do grupo Transobjeto apresenta uma vertente que se debruça sobre possíveis aplicações resultantes da nova ontologia do objeto proposta pelo realismo especulativo. Como se verifica neste blog (aqui), uma das preocupações práticas do grupo diz respeito aos objetos e ambientes sencientes que surgem a partir da computação ubíqua e da internet das coisas. Tais objetos e ambientes, cada vez mais comuns, são dotados de sensores, atuadores e sistemas de inteligência artificial interagindo com humanos e outros objetos, seja fisicamente ou através da internet (Internet of Things e Industrial Internet of Things). Como diz Santaella:

“Temos que começar a nos acostumar com o fato de que os objetos, que costumávamos ver como coisas inertes ao nosso dispor, para o uso, desuso e abuso, já começam a ficar sencientes, quer dizer, dotados de sensorialidade e certa inteligência” (2013, p. 32).

Assim, diante do impacto potencial da interatividade com esses novos objetos, este post faz uma breve reflexão a respeito da concepção e construção desses dispositivos do ponto de vista do desenho industrial[1] e da importância de se pensar na intenção a partir do projeto de interfaces adequadas.

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O filósofo e o artesão

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por Eduardo Camargo

  1. Carpintaria filosófica

No capítulo 4 de seu livro Alien Phenomenology, Bogost (2012, pp. 85-111) estende o termo carpintaria para além do ofício do artesão e o direciona para o mundo da produção acadêmica. Ele sustenta que o resultado do trabalho intelectual, principalmente nas áreas das humanidades, restringe-se à publicação de artigos e livros e, como efeito desta obsessão, aponta dois problemas recorrentes: primeiro, com sua tendência à obscuridade, à incompreensibilidade e ao uso de jargões, normalmente, o acadêmico é um mau escritor; segundo, considerar que apenas através da escrita podemos acessar o mundo pode ser perigoso, pois, enquanto damos atenção exclusiva à linguagem, garantimos nossa ignorância de tudo o mais. Então, seria a escrita o melhor e mais apropriado meio de expressão para o trabalho acadêmico? Ou, mesmo, seria o único? Continuar lendo

A persona estendida e a internet das coisas

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por Eduardo Camargo

  1. A mente estendida

Onde a mente termina e o resto do mundo começa? Como resposta, alguns sustentam que o que está fora do corpo físico está fora da mente. Outros se impressionam com argumentos que sugerem que os significados de nossas palavras estão fora da mente, assim sendo, o externalismo a respeito dos significados implicaria também no externalismo de nossas mentes. Andy Clark, cientista cognitivo e filósofo da mente, propõe uma terceira posição, um externalismo ativo baseado no papel atuante do ambiente na condução de processos cognitivos (Clark, 2011: 220-232). Continuar lendo

Ética achatada e inteligência artificial (IA)

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por Eduardo Pires de Camargo

Em tempos de computação pervasiva, comunicação ubíqua, internet das coisas e veículos autônomos, dentre tantas possibilidades apontadas pela tecnologia atual, parece-me bastante relevante o tema proposto por Levi Bryant para sua palestra de 18 de outubro de 2012 na Universidade do Texas: Questions for Flat Ethics. Começo o post com uma revisão neutra de suas considerações e encerro com algumas reflexões acerca da IA inserida no contexto de uma ética achatada. Continuar lendo