OOO: revigorante das formas de se adquirir conhecimento

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por Alessandro Mancio de Camargo

Assim como a linguagem científica praticada, por exemplo, pelos físicos, a tradição oral — com suas idiossincrasias — avança nos modos de conexão à realidade. Faz isso de forma amplificada por “máquinas desejantes” — parafraseando Guattari (1996, p. 205)— altamente persuasivas. Pós-humano, web 3.0, as interfaces entre a natureza e o corpo. Espaços distintos da sociedade em rede ocupados por objetos sencientes intercomunicantes. As consequências dessa narrativa podem ser interpretadas no premiado Comunicação Ubíqua, de Santaella (2013). Num recorte pessoal do livro, humanos e objetos têm hoje a capacidade de se aproximar de diversas realidades, obter e trocar mais dados sobre elas por meio do diálogo com outros objetos e pessoas, numa velocidade, volume e variedade de informações nunca antes atingidos. O interesse deste post é discutir como, nesse ambiente, revigoram-se diferentes formas de adquirir conhecimento (MATTAR, 2014). Continuar lendo

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Ética achatada e inteligência artificial (IA)

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por Eduardo Pires de Camargo

Em tempos de computação pervasiva, comunicação ubíqua, internet das coisas e veículos autônomos, dentre tantas possibilidades apontadas pela tecnologia atual, parece-me bastante relevante o tema proposto por Levi Bryant para sua palestra de 18 de outubro de 2012 na Universidade do Texas: Questions for Flat Ethics. Começo o post com uma revisão neutra de suas considerações e encerro com algumas reflexões acerca da IA inserida no contexto de uma ética achatada. Continuar lendo

A tecnologia é nossa inimiga?

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por Tarcisio Cardoso

O filme “Transcendence – a revolução” representa um fracasso não só na carreira de Johnny Depp e na ficção científica hollywoodiana, mas também nas reflexões que se propõe a realizar e não consegue dar conta. A crítica tem sido implacável com o longa, que não conseguiu fazer sequer uma ficção com um sentido claro. Parece que, no meio de tanto assunto instigante (tecnologia, ativismo antitecnológico, questionamento de limites da inteligência artificial, singularidade/transcendência), o filme só conseguiu se fixar num apelo exageradamente tosco: “homens, parem de brincar de Deus”. Ao transformar a inteligência coletiva em monstro, comete ainda um erro dogmático anacrônico: propõe que seriamos mais felizes se os homens não buscassem transgredir aquilo que “lhes cabe”. Diante da imposição de tal axioma, parece oportuno perguntar novamente: seria a tecnologia inimiga da natureza humana? Por trás desse questão residem outras, ainda mais polêmicas: o homem, alguma vez, foi natural? O que seria o homem por ele mesmo? Continuar lendo

Rede, social e inteligência compartilhada

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por Tarcisio Cardoso

Quanto tempo passamos conectados por dia? A rede está em nossos celulares ou nós é que estamos na rede? Os dilemas do mundo conectado têm sido alvo de muitas críticas e rotulações, por vezes exageradas. O fato consumado é que por estarmos conectados, ou simplesmente “disponíveis” para a rede, somos pessoas diferentes, estranhas, às vezes dependentes da tecnologia e, certamente, somos cada vez mais difíceis de se entender. Uma série de estudos sobre as redes e as mudanças culturais podem nos ajudar, nesse caminho. Continuar lendo

A internet das coisas: Uma nova ontologia e epistemologia do objeto

por Lucia Santaella

Estamos adentrando a era da internet das coisas.

Em 2005, o relatório da internet da União de Telecomunicação Internacional[i], com o título de “Internet das coisas”, detectava um futuro para a internet muito similar às irônicas profecias de Sterling. De acordo com esse documento, por meio de dispositivos dedicados, os computadores vão gradativamente sumir da nossa vista, enquanto as habilidades de processamento de informação vão emergir por todo o ambiente circundante. Com a capacidade de processamento de informação integrada, os produtos vão possuir habilidades de inteligência. Eles poderão também adquirir identidades eletrônicas que podem ser pesquisadas remotamente ou serem equipados com sensores para detectar mudanças físicas no seu entorno. Objetos estáticos e mudos tornar-se-ão seres dinâmicos e comunicantes, incrustando inteligência nos ambientes. No momento em que os objetos se tornarem inteligentes, o mundo das coisas e o mundo humano estarão se comunicando sob condições inéditas. Continuar lendo